31 janeiro 2019

Português para concursos | Questões FCC - Interpretação de Textos



 

Português para concursos  | Questões FCC - Interpretação de Textos 


Para onde vão as palavras
      Como se sabe, a palavra durante algum tempo foi obrigada a recuar diante da imagem, e o mundo escrito e impresso diante do falado na tela. Tiras de quadrinhos e livros ilustrados com um mínimo de texto hoje não se destinam mais somente a iniciantes que estão aprendendo a soletrar. De muito mais peso, no entanto, é o recuo da notícia impressa em face da notícia falada e ilustrada. A imprensa, principal veículo da esfera pública no século X I X assim como em boa parte do século XX, dificilmente será capaz de manter sua posição no século X X I.
      Mas nada disso pode deter a ascensão quantitativa da literatura. A rigor, eu quase diría que - apesar dos prognósticos pessimistas - o mais importante veículo tradicional da literatura, o livro impresso, sobreviverá sem grande dificuldade, com poucas exceções, como as das enciclopédias, dos dicionários, dos compêndios de informação etc., os queridinhos da internet.
(Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos fraturados. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 29-30.)


Questão 01. Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:

A A menos que, por um milagre, as velhas enciclopédias sobrevivessem, os jovens de hoje, já acostumados com a rapidez, encontrariam nelas, certamente, um desafio para a sua paciência, quando as fossem consultar.


B A menos que por um milagre, as velhas enciclopédias sobrevivessem, os jovens de hoje já acostumados, com a rapidez, encontrariam nelas certamente, um desafio para a sua paciência, quando as fossem consultar.

C A menos que por um milagre, as velhas enciclopédias, sobrevivessem, os jovens de hoje já acostumados com a rapidez encontrariam nelas, certamente um desafio, para a sua paciência, quando as fossem consultar.

D A menos que por um milagre as velhas enciclopédias sobrevivessem, os jovens de hoje, já acostumados, com a rapidez encontrariam nelas, certamente, um desafio, para a sua paciência quando as fossem consultar.

E A menos, que por um milagre, as velhas enciclopédias sobrevivessem os jovens de hoje, já acostumados com a rapidez, encontrariam, nelas, certamente, um desafio para a sua paciência, quando as fossem consultar.


Questão 02.  O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o elemento sublinhado na seguinte frase:

A Entre as várias atrações que (conter) um livro, uma é a de tornar-se um objeto do afeto de quem o possui.

B Se há imagens pelas quais se (deixar) prender um espectador, há palavras que encantam um leitor.

C Quando há num livro imagens excessivas, que (contaminar) um texto, as palavras saem desvalorizadas.

D A despeito de (haver) nele figuras demais, esse livro infantil atrai também um leitor adulto.

E Aos frequentadores da internet (atrair) sobretudo o volume de informações que nela circulam.



Questão 03.  A expressão A rigor, eu quase diría que (2° parágrafo) deve ser entendida, no contexto, com o mesmo sentido que tem a expressão:

A Por outro lado, devo convir que.
B Talvez eu possa mesmo asseverar que.
C Ainda assim, quase posso afiançar que.
D Para ser exato, estou para afirmar que.
E Pensando bem, eu deveria estar dizendo que.


Questão 04. Ao fazer um prognóstico da situação da literatura em nosso século, o autor acredita que ela

A perderá toda a sua qualidade artística, em função dos critérios quantitativos pelos quais se orientará.

B sobreviverá graças aos recursos visuais que pouco a pouco substituirão o espaço dos textos.

C assimilará recursos da internet que a farão recuperar seu prestígio como a arte mais querida de todas.

D sofrerá com o contínuo desprestígio das palavras, que desde o século XIX cedem lugar para as imagens.

E permanecerá representada pelos livros impressos, à exceção dos dicionários e publicações similares.


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Um documentário britânico

      No início dos anos 1980, uma equipe da TV BBC britânica veio ao Brasil gravar um documentário sobre as condições de vida numa favela do Rio de Janeiro. A ideia era mostrar de forma hiper-reaiista, no melhor estilo “câmera invisível” da tradição anglo-americana de reportagem, um dia na vida de uma jovem favelada. A intenção era explorar ao máximo as chagas abertas e a penúria do dia a dia na favela, as condições aviltantes da vida no morro.

      Acontece que a eleita para servir de fio condutor do programa personificava a negação viva de toda a carga de sombra e amargura que o registro clínico de seu cotidiano na favela nos faria esperar dela. A moça, porém, em meio à pobreza, irradiava uma energia alegre e espontânea, uma satisfação íntima consigo mesma e uma sensualidade exuberante que jamais se encontrariam numa inglesa de sua idade, não importando a classe social. Embora tivesse razões de sobra para queixar-se do destino e viver na mais espessa melancolia, ela esbanjava alegria de viver por todos os poros e arrancava luz das trevas com sua vitalidade interior.

      Inesquecível é a cena em que a moça ia buscar água numa bica distante de casa e, para o desconcerto da equipe da BBC, voltava carregando o balde pesado equilibrado na cabeça e... cantando! A relação assim estabelecida entre o barraco pobre e objetivo e o alegre palácio interior dá o que pensar. Pelo menos terá feito pensar muito os jornalistas britânicos que vieram para fazer uma reportagem e fizeram outra.

(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 160-161)


 Questão 05.  A substituição do elemento sublinhado pelo que vem entre parênteses não altera o sentido nem implica incorreção na seguinte frase:

A A moça voltava cantando, para o desconcerto da equipe = desnorteando a

B O balde pesava-lhe na cabeca mas ela cantava = sobrecarregava-a sua cabeça

C Os traços de sensualidade evidenciavam sua disposição para a vida = mostravam-na imbuída

D Aos jornalistas espantou a forca de viver daquela jovem = admoestou-lhes o ímpeto inato

E Ao barraco pobre pode corresponder a forca do palácio interior = mostra-se análoga a investida



Questão 06. É clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

A Não contava a equipe de jornalistas em que a moça da favela intervisse com sua alegria na reportagem programada para ser de denúncia.

B Tipicamente europeus os jornalistas britânicos achavam que era impossível haverem expansões de alegria num cenário como os de uma favela.

C Aos jornalistas britânicos não ocorreu que os modos da jovem moradora da favela transcendessem as expectativas iniciais da reportagem.

D Talvez lhes tenha parecido excessivos os rompantes de alegria com que a jovem da favela não se continha diante dos jornalistas britânicos.

E A sensualidade da moça não se restringia sob o peso dos fatos que deveríam deprimir-lhe, mas que pelo contrário, nela se irradiavam com alegria.



Questão 07. Há transposição de uma voz verbal para outra e pleno atendimento das normas de concordância no seguinte caso:

A uma equipe de repórteres britânicos visitaria a favela / a equipe dos repórteres britânicos teriam visitado a favela.

B os costumes do dia a dia da favela seriam documentados / documentariam o cotidiano habitual de uma favela.

C a jovem personificava o contrário das expectativas / eram opostas as expectativas que personificavam a jovem.

D uma energia incontrolável era a marca dos gestos da jovem / a jovem marcava os gestos que não controlavam sua energia.

E o autor estabelece uma relação entre um barraco e um palácio / o autor faz ver a relação que estabelece um barraco e um palácio.


Questão 08. Estes dois segmentos expressam comportamentos ou atributos relativos à jovem moradora da favela não previstos pelos jornalistas britânicos:


A fio condutor do programa - no melhor estilo “câmera invisível”.
B carga de sombra e amargura - registro clínico de seu cotidiano.
C as chagas abertas e a penúria - na mais espessa melancolia.
D arrancava luz das trevas - as condições aviltantes da vida no morro.
E palácio interior-irradiava uma energia alegre e espontânea. 


Questão 09. 
O objetivo que trouxe ao Rio de Janeiro os profissionais da BBC

A foi parcialmente alcançado, pois a jovem moradora da favela não deixou de expor o otimismo brasileiro, reconhecido internacionalmente.

B remodelou-se durante a reportagem, já que as atitudes da jovem convenceram a equipe de jornalistas que a prioridade deveria ser outra.

C frustrou-se pelo fato de que o hiper-realismo da reportagem planejada consistia em se ater aos aspectos mais negativos da vida na favela.

D desviou-se do plano original, de vez que as mazelas sociais a serem destacadas eram menores do que as imaginadas pela equipe de jornalistas.

E mostrou-se inócuo, pois a personalidade da moça impedia qualquer visibilidade para os aspectos negativos da rotina de uma favela


Questão 10. 
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

A mostrar de forma hiper-realista (1° parágrafo) = figurar de modo sensacionalista.
B as condições aviltantes da vida (1° parágrafo) = os subterfúgios indignos da rotina.
C registro clínico de seu cotidiano (2° parágrafo) = interpretação analítica do seu dia a dia.
D Embora tivesse razões de sobra (2° parágrafo) = Ainda que lhe sobejassem motivos.
E para o desconcerto da equipe (3° parágrafo) = a fim de desnortear o grupo. 


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Gabarito


1.    A
2.    B
3.    D
4.    E
5.    A
6.    C
7.    B
8.    E
9.    C
10.  D


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Um Abraço e Até a Próxima.






22 janeiro 2019

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10 janeiro 2019

Português para Concursos | Interpretação de Textos - Banca CRS-PMMG

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A mulher do vizinho  

Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.
O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia. 
O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fabrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte: