21 setembro 2017

Interpretação de Textos – Fundação Carlos Chagas


Interpretação de Textos – Fundação Carlos Chagas (Questões com Gabarito)

Da morte para a vida

      Um velho professor e médico cardiologista foi abordado pelo jovem aluno: Mestre, dizem as estatísticas que é altíssima a incidência de mortes por causas cardíacas. O professor respondeu prontamente: E do que você preferiria que as pessoas morressem? Lembrava ao discípulo, com isso, os limites do homem e da ciência, que fazem frente às aspirações ideais das criaturas, ao seu anseio de imortalidade.

      Sendo inevitável, nem por isso deixa a morte de prestar algum serviço aos vivos. Não, não me refiro à morte dos monstros antropomórficos que volta e meia põem em risco nossa humanidade; falo dos corpos que continuam de alguma forma vivos nos órgãos transplantados, nas aulas de anatomia, corpos que, investigados, ajudam a esclarecer os caminhos da moléstia que os vitimou. Falo dos préstimos que os homens sabem tomar da morte.
      Também no plano filosófico a morte pode surgir como estímulo para viver melhor. É o que afirmavam os velhos pensadores estoicos, quando lembravam que o bem viver é também a melhor preparação possível para a morte. Lembrarmo-nos sempre de nossa finitude é mais do que uma lição de humildade: é um convite para intensificar o sentido do tempo de que dispomos para seguir na vida. É de Sêneca esta lição: “Vivo de modo que cada dia seja para mim a vida toda; e não me apego a ele como se fosse o último, mas o contemplo como se pudesse também ser o último”.
                                                                 (Anastácio Fontes Ribeiro, inédito)

Questão 01 - Entende-se que no contexto do segundo e do terceiro parágrafos devem ser considerados préstimos que os homens sabem tomar da morte

a) os justos serviços que nos presta a morte quando decide afastar do nosso convívio o que se figura como monstros antropomórficos.

b) as reais possibilidades que temos de encontrar algum alento religioso depois que experimentamos as perdas dos nossos entes queridos.
  
c) as oportunidades que passamos a ter de exercitar nossa humildade assim como as de alimentar os mais altos ideais filantrópicos.
  
d) os benefícios que podem advir de uma observação científica dos corpos e de uma intensificação do sentido mesmo do que seja viver.
  
e) os estímulos que nos levam à leitura dos autores clássicos, em cujos textos encontramos o menosprezo pela nossa condição de mortais.

 Questão 02 - De acordo com os estoicos, cuja posição diante da morte está resumida na citação de Sêneca, deve-se viver
  
a) de modo a desgarrar-se da ideia de morrer, para que cada dia seja aproveitado como se propiciasse uma abertura para a eternidade.
  
b) como se cada dia fosse uma preparação para o que haverá de melhor nos dias seguintes, em vez de se afligir com a possibilidade de morrer.

c) evitando alimentar toda e qualquer aspiração a um futuro melhor, assumindo-se com coragem e resignação as provações do cotidiano.

d) desapegando-se do sentido mesmo da vida, o que significa prepararmo-nos para morrer com a dignidade de quem sabe ser humilde.
  
e) intensificando-se o sentido de cada dia, de modo que cada experiência cotidiana seja ao mesmo tempo uma totalidade e uma ultimação.

Questão 03 -  Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

a) é altíssima a incidência (1° parágrafo) // é superlativa a injunção
  
b) fazem frente às aspirações (1° parágrafo) // confrontam as idealizações
  
c) moléstia que os vitimou (2° parágrafo) // insanidade que os degenerou
  
d) Também no plano filosófico (3° parágrafo) // Adstrito ao patamar cognitivo
  
e) convite para intensificar (3° parágrafo) // indução para radicalizar

Questão 04 - Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

a) Tal como se propagava Sêneca em seus escritos, à humildade de viver devemos com que cada dia seja aproveitado como se ali sentíssemos ultimar a nossa vida.
  
b) Há médicos que, por deliberação ou não, acreditam que possam salvar a vida eternamente, esquecendo-se assim da condição de mortalidade que a todos nos assolam.
  
c) É próprio do homem saber retirar proveito de seus infortúnios, porquanto mesmo dos mortos mostra-se capaz de colher benefícios para os vivos.
  
d) O velho professor deu uma aula de humanidade ao jovem aluno, lembrando-lhe de que a morte não vê causas próprias de acordo com nosso ideal de longevidade.
  
e) Há pessoas que à partir da própria experiência, julgam que a morte possa ser sanada tal e qual a induziu o jovem aluno de medicina diante do velho professor.

Questão 05 - O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o elemento sublinhado na frase:
  
a) Não (faltar) a um médico experiente sábias ponderações acerca dos limites implicados em nossa mortalidade.
  
b) Às lições de Sêneca (dever) dar atenção todo aquele que pretende viver com estoica sabedoria.
  
c) Até mesmo aos mortos (caber) beneficiar-nos com os indícios que se gravam em seus corpos.
  
d) Mesmo que não (vir) a faltar a certos homens um mais que largo tempo de vida, continuariam se queixando.
  
e) (Haver) de melhor aproveitar a vida, é certo, aqueles que não ficarem calculando o tempo que têm para viver.



Gabarito 

01 D
02 E
03 B
04 C
05 A

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